literacia para a saúde

Literacia para a saúde exprime o gradiente através do qual se acede, compreende, avalia e comunica, perante solicitações de diferentes contextos, tendo em vista a saúde no ciclo de vida (CARTA DE NAIROBI, 2009). A literacia para a saúde é a conscientização da pessoa aprendente e atuante no desenvolvimento das suas capacidades de compreensão, gestão e investimento favoráveis à promoção da saúde (Saboga-Nunes, 2014).

De acordo com o Professor Doutor Luis Saboga-Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, a palavra literacia tem sido utilizada para exprimir um novo conceito que vai além das capacidades de leitura e de escrita per se. Isto é, o conceito de literacia distingue-se do conceito de alfabetização por albergar muito mais do que o grau formal de escolaridade a que esse último, tradicionalmente, está ligado. Enquanto alfabetização refere-se à condição de se ser (ou não) iniciado na língua escrita, independentemente do grau de domínio que dela se tenha, o conceito de literacia adquire um significado mais vasto, referindo-se a capacidades de utilização da língua escrita que estão para além do seu domínio formal (saber ler). Assim, o termo alfabetização refere-se a um conhecimento obtido, estável; enquanto literacia designa um conhecimento processual, em aberto, reflexivo e dinâmico (Delgado-Martins, 2000).

O termo literacy foi inicialmente utilizado pelos países anglo-saxônicos, o que se explica pelo fato de terem sido os que mais cedo preocuparam-se com os níveis de literacia da sua população. Tal como definida, a literacia é então um conceito mais abrangente, incluindo não só a competência e os usos da leitura e da escrita, mas também as funções que a leitura e a escrita desempenham na formação e na acumulação de conhecimento, procedimentos, leis e textos que constituem o corpo principal da cultura histórica (OLSON, 1999). É neste contexto que a discussão sobre a literacia para a saúde, lançada por Saboga-Nunes, buscou fundamentação em Paulo Freire, especialmente nos conceitos de autonomia, emancipação e conscientização (Libertação).

No Brasil, a expressão literacia para a saúde ainda é pouco utilizada no contexto científico e, ocasionalmente, tem sua tradução para letramento em saúde ou alfabetização em saúde. A concepção dos referidos termos – tanto letramento como alfabetização em saúde – está vinculada a uma perspectiva de apropriação de informações em geral voltadas para aspectos básicos e funcionais perante as necessidades que cada pessoa desenvolve no âmbito dos serviços de saúde – logo muitas vezes focada na doença. Com o conceito de Literacia para a Saúde, acentua-se o aspeto dinâmico, progressivo e reflexivo que a apropriação de conhecimento gera sobre a saúde, e não só sobre a doença e ou sua gestão.

Assim, o Grupo de Estudos e Pesquisa PROmoção em comunicação, educação e LIteracia para a SAúde no Brasil – ProLiSaBr – tem proposto o estudo, pesquisa e discussão a partir da expressão literacia para a saúde visando entender como se processa a conscientização da pessoa aprendente e atuante no desenvolvimento das suas capacidades de compreensão, gestão e investimento favoráveis à promoção da saúde. (SABOGA-NUNES, 2014). Os estudos e pesquisas estão fundamentados em referências bibliográficas em sua maioria internacionais para aprofundamento da discussão.

Saboga-Nunes L. Literacia para a saúde e a conscientização da cidadania positiva. Revista Referência. 2014;11(III Série – Suplemento):94-99

WHO – Promoting health and development : closing the implementation gap. Geneva : World Health Organization, 2009.

Delgado-Martins, M.R.  – Literacia e sociedade. Lisboa: Caminho, 2000.

 

 

 

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